Demanda reprimida de talentos futuros nas Engenharias é entrave para mercado da construção civil

Parte dessas mudanças está no ensino superior e na forma como as universidades ensinam e engajam os estudantes. Para estimular as novas metodologias, que aliam conhecimento científico à prática, o Crea-SP realizou uma parceria inédita com o Instituto de Tecnologia e Liderança (INTELI) para criar o FuturoLab. O programa rompe com a lógica tradicional das aulas expositivas ao colocar alunos diante de um desafio concreto e de alta complexidade logo no início da jornada.

O Problem-Based Learning (PBL), ou Aprendizado Baseado em Projetos, é o eixo estrutural da formação no INTELI. No lugar de acumular conteúdos esperando aplicá-los “um dia”, os alunos enfrentam demandas concretas desde o início da graduação, construindo repertório técnico e autonomia simultaneamente. Durante 10 semanas, uma turma ficou dedicada em buscar soluções para desenvolvimento de um protótipo que pudesse identificar irregularidades na emissão das Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) – documento obrigatório para qualquer atividade desenvolvida nas áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências. A iniciativa mostra aos jovens, de forma concreta, por que essas profissões importam.

A missão do Sistema Confea/Crea passa pela responsabilidade de estar à frente do processo de transformação das universidades e do mercado, para atrair as novas gerações, e para que os setores público e privado entendam a necessidade de investir em formação de pessoas, propondo projetos, alianças, eventos e diálogos, na busca conjunta pela solução. Persistir na renovação de talentos no Brasil, independentemente das dificuldades estruturais, é o caminho mais seguro a seguir.

Autora: Lígia Mackey, engenheira civil com mais de 30 anos de atuação no mercado de construção civil e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP)